24 de fev. de 2009

Laura!


Minha neta, Laura, nascida em 23.01.2009. Loura, linda, 'little' e 'loved' como a mãe Roberta.

Anacharsis Rattes


Homenagem ao meu querido tio Anacharsis Rattes, falecido em 23.02.2009, em Juiz de Fora (MG).


2 de jan. de 2009

Custódio José Ferreira Rattes e Bagagem



Meu tataravô, Custódio José Ferreira Rattes. No verso da fotografia consta a seguinte inscrição manuscrita: “Pa a Exma Snra D. Constança Theodolinda Barbosa, q lhe envia Custodio José Ferreira Rattes, com signal da amisade e respeito. Bagm, 29 de fevereiro de 1880”.

A localidade é Bagagem, Minas Gerais, atual município de Estrela do Sul, sobre a qual vou falar um pouco.

No início da colonização brasileira, a atual área do Triângulo Mineiro, até então denominada de Sertão da Farinha Podre, foi habitada por índios (a maior parte os Caiapós). Na maioria, esses índios eram nômades e circulavam pelas redondezas, sem moradia fixa, mudando de tempos em tempos em busca de caça e pesca. Essa vida nômade é compreendida como uma estratégia de defesa, tanto em relação aos animais como às tribos inimigas. Com maior facilidade, a defesa podia ser encontrada em ambientes de florestas, montanhas e cavernas por serem mais acolhedoras e oferecerem melhores condições de esconderijo do que as encontradas no Cerrado, ecossistema natural da região. Essas características da vida indígena indicam as poucas evidências quanto à transformação do meio ambiente natural, que, nesse momento, é praticamente insignificante ou nula.

Com a chegada de bandeiras e colonizadores fazendeiros, os índios fugiram em busca de áreas livres da presença do homem branco, e o meio ambiente natural foi alterado. Assim, a fuga indígena, também, justifica a entrada dos bandeirantes rumo ao sertão. Como uma forma de resolver o problema de subsistência, os bandeirantes embrenharam-se pelos sertões, tornando as entradas uma profissão para adolescentes, tanto para as expedições de apresamento como para o sertanismo em geral.

O Sertão da Farinha Podre, que compreendia todas as terras situadas entre os rios Quebra Anzol, das Velhas, Grande e Paranaíba, pertenceu, num primeiro momento, à capitania de São Paulo, depois, à de Goiás, e, somente em 1816, passou ao domínio de Minas Gerais.

Até o início do século XVIII, as terras da região não despertaram interesse para as bandeiras, pois, geograficamente, não ofereciam garantias para encontrar metais e pedras preciosas. Apenas com a intenção de desbravamento do interior do país, em busca de riquezas existentes em outras localidades, é que nessas terras começaram as passagens das expedições pela região.

A primeira bandeira a passar pelo Sertão da Farinha Podre foi a de foi Bartolomeu Bueno da Silva – o Anhangüera. Em 1722, seu filho, Bartolomeu Bueno da Silva Jr. – o Anhangüera II –, cumprindo ordens do governo colonial para encontrar as minas auríferas, partiu de Piratininga com um grupo composto por brancos, índios e escravos, somando 152 pessoas no total, e iniciou o desbravamento da rota que deu origem aos primeiros povoados da atual região do Triângulo Mineiro. Foi no comando desse grupo, que o bandeirante fez um percurso com trilheiros até as margens do Jeticaí – Rio Grande, e passou pela foz do Rio do Carmo até atingir a margem oposta, o Sertão da Farinha Podre.

Nessa ocasião (ainda em 1722), João Leite da Silva Ortiz, genro de Anhangüera, pára num ponto de pouso às margens de um ruidoso e caudaloso rio (que veio a ser denominado, tempos depois, Rio da Bagagem) descobre diamantes, muitos deles de diversas cores, como rosa, verde e violeta.
Sob a adoção deste nome para a localidade não se pode afirmar muito, restando apenas o recurso da tradição, que assegura ter sido tal denominação usada pelos garimpeiros que, deixando no local o grosso de suas munições e víveres, enquanto largavam-se por todo o percurso do rio que é diamantífero em toda a extensão, ao voltar ou referir-se ao local onde haviam deixado o maior volume da carga, diziam: “vou à bagagem” ou “tal objeto ficou na bagagem”. Como se sabe, bagagem é o nome do conjunto de coisas levadas por um viajante. Nesse trecho dois conglomerados se formaram: a parte de cima levou o nome de Cachoeira e a de baixo, de Joaquim Antonio.

As primeiras sesmarias doadas nessa área foram concedidas em 1818, ao Padre Fortunato José de Miranda e a Manoel Dias da Rocha. De 1772 a 1849, o local não passou de um garimpo, progredindo muito lentamente.

Em 1849 a Bagagem Diamantina já se tornara um próspero povoado com a população acima de trinta mil habitantes, tornando-se um eldorado, com a vinda de aventureiros de todas as partes do país. No chamado rush minerador, o crescimento populacional, típico de cidades mineradoras atingiu o povoado que, dentro de poucos anos se promoveu de povoado à freguesia e de vila à cidade.

O processo de urbanização só foi intensificado a partir de 4 de maio de 1852, com a criação do Distrito de Paz no Arraial da Bagagem, pertencente à comarca de Patrocínio, coincidindo com a descoberta do famoso diamante “Estrela do Sul”. Conta-se que uma escrava de nome Rosa, de propriedade de Casimiro de Morais, encontrou um diamante de rara beleza (pesando 254,5 quilates) sobre um monte de cascalho. Esse diamante levou o nome de Estrela do Sul. Nessa época, verdadeiros bandos de malfeitores se organizavam para saquear os viajantes nas estradas, uma vez que era constante o tráfego de pedras preciosas. Coube a uma força de voluntários pedestres de Patrocínio a tarefa de acabar, em 1853, com um dos bancos que mais terror espalhava nas redondezas.

Dentre vários aventureiros que rumaram para Bagagem em busca do sonho de riqueza está D. Anna Jacintha de São José, a famosa cortesã do Brasil Império, conhecida como Dona Beija, que lá viveu por mais de vinte anos, até o seu falecimento.

Como grande parte da população era escrava, os negros construíram para eles em 1853, a capela de Nossa Senhora do Rosário, a santa padroeira da irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Posteriormente, a Capela abrigou São Benedito, também protetor do povo negro.

O povoado, então conhecido pelo nome de “Diamantino da Bagagem”, foi transformado em distrito pela Lei Provincial nº 667, de 27.04.1854.

Pela Lei Provincial nº 777, de 30 de maio de 1856, o distrito foi desmembrado de Patrocínio e elevado à condição de vila, com o nome de Bagagem, instalado em 30 de Setembro de 1858.

Em 13.10.1858 nasce Elídio Rattes, meu bisavô.

Devido ao grande crescimento verificado no local, a Vila de Bagagem foi elevada à categoria de cidade, pela Lei nº 1101, de 19.09.1861. Sua população, diretamente vinculada ao garimpo, apresentava significativa rotatividade em busca dos diamantes e residia em habitações improvisadas, que se perderam no tempo.

Crescendo sempre, chegou a ser um dos mais importantes centros comerciais da província. Sob sua administração política estavam Santana da Aldeia do Rio das Velhas (Indianópolis); Brejo Alegre (Araguari); Troncos (Grupiara); Carmo da Bagagem (Monte Carmelo); Crioulos (Pedrinópolis); Espírito Santo do Cemitério (Iraí de Minas); Boqueirão (Douradoquara); São João do Rio das Pedras (Cascalho Rico); São Miguel da Ponte Nova (Nova Ponte) e Água Suja (Romaria).

Em 1870, a cidade começa a viver o seu declínio, causando uma explosiva retirada de aventureiros às suas origens. Em 1873, faleceu D. Beija.

Vale lembrar que em 1891, aos 33 anos, Elídio Rattes já se encontrava em Alegre, no Espírito Santo, quando nasceu seu primeiro filho, Apolinário.

Pela Lei Estadual nº 319, de 16.09.1901, o município de Bagagem tomou a denominação de Estrela do Sul.

ANACREONTE, DAGMAR E ANAXÁGORAS RATTES


Meus tios Anacreonte, Dagmar e Anaxágoras.



Lucília Lessa Rattes


Minha avó LUCÍLIA LESSA RATTES, em foto de 25 de janeiro de 1926.

APOLINÁRIO DE MORAES RATTES


Meu avô, APOLINÁRIO DE MORAES RATTES, nascido em 09 de julho de 1891, em Alegre (ES), e falecido em 11 de setembro de 1975, em Barra Mansa (RJ).

16 de jun. de 2008

Um novo Rattes


Temos um novo membro na família Rattes. Em 6 de julho de 2008, em New Orleans, Estados Unidos, nasceu Gabriel Alexander Rattes, filho de Claudio Erices Rattes, neto de Eliseu Lima Rattes, bisneto de Elídio de Moraes Rattes, tetraneto de Elídio Rattes. Ao Gabriel, muita luz e paz neste mundo.

12 de jun. de 2008

Não esquecendo que também somos Moraes

De Luiz Ferraz Moulin recebi o seguinte comentário:

"Conheci o primo Apolinário de Moraes Rattes e sua esposa dona Lucília em Guaçuí, pois ele era primo de meu pai José Moraes Moulin. Tio Elídio Rattes morou em Guaçuí, onde nasceram alguns filhos, entre eles Dr. José Moraes Rattes, pai do Paulo. Ele foi Coronel da Guarda Nacional e líder político em Alegre, onde participou da Revolta do Chandoca. Sua esposa, tia Elvira Salles Pinheiro de Moraes, era filha de Manoel Gomes Pereira de Moraes e de Guilhermina Amélia de Salles Pinheiro, ambos de Valença, RJ, da família do Visconde de Ipiabas, eram primos irmãos e membros da aristocrática família Pinheiro de Souza. Tia Elvira faleceu em Cachoeiro do Itapemirim, onde morava com a Maria e a Nina. Tio Elídio faleceu em Alegre. Apolinário era um grande pesquisador da família Moraes, foi ele quem descobriu que nós éramos da família Antas de Moraes, de São Paulo, descendente dos Braganções. Ele nos visitava sempre em Guaçuí, e em suas viagens a Mariana, MG, descobriu nossa origem familiar".

Luiz Moulin foi prefeito de Guaçuí por duas vezes, Deputado Estadual, Secretário Estadual do Meio Ambiente, Secretário Estadual de Justiça e Diretor de Meio Ambiente da CESAN.

Ao Luiz, meus sinceros e mais profundos agradecimentos pelo relato que emociona, pela luz que proporciona e pela descoberta de mais um laço familiar.

22 de abr. de 2008

Um pouco sobre Manoel Antonio Rates

"A presença da família de Manoel Antônio Rates nos levou a uma busca de informações. Pelo material levantado, percebeu-se uma intensa ligação da família com vários outros locais sul-mineiros. A atividade comercial do pioneiro facilitava esta articulação. Pela sua origem freqüentava Carrancas, São João del Rey, e demais regiões. Seus filhos e netos foram batizados em diferentes ermidas presentes em várias fazendas. Foram padrinhos em casamentos e batizados em diversas localidades. O nome de Manoel Antônio Rates, bem como de seus filhos, são citados em diversos documentos e inventários. Apadrinhamentos entre esses antigos moradores nos mostram a interligação existente do sítio Cachoeira, de Manoel Antônio Rates às outras fazendas. Lá ia o Manoel a Padre Bento, hoje São Bento Abade; ia às Lavras do Funil; ia aos Farias; e ia também aos: Garcias, Figueiredos, Gouveias. Nesta época, Carmo nada mais era que um ponto próximo a Lavras do Funil, que por sua vez pertencia a freguesia de Carrancas. A Cachoeira dos Rates foi um referencial no percurso de uma picada e perpetuada por ter tido seu nome incluído em Lei.

Os Rates são citados também em limites territoriais. O Sítio Cachoeira ficava em um ponto de passagem que ligava-se com Lavras do Funil, Encruzilhada, São Bento, e a Terra dos Coqueiros, hoje Coqueiral, entre outros. É provável que sua ação se estendia por toda a Comarca do Rio das Mortes, onde hoje estão as prósperas cidades de Varginha, Três Corações, Lavras, Boa Esperança, Nepomuceno, Carmo da Cachoeira, Luminárias, entre outras. O Sítio da Cachoeira influía e era influenciado só pelo fato de sua localização. Os tropeiros e os boiadeiros eram homens ousados que avançavam pelos sertões, partindo de vários, seguindo o roteiro dos rios e das antigas trilhas dos índios, e tinham esta parada como um referencial neste percurso. Numa época em que a metrópole controlava o processo de povoamento dos sertões e a limpeza das áreas, o extermínio da população indígena e quilombolas era uma constante, assim como os enfrentamentos e as expulsões de homens já instalados. Aqui não havia ouro. Era passagem. E passagem longe dos olhos controladores da Coroa Portuguesa. No sítio Cachoeira não havia Ermida. O único batizado foi encontrado até agora se realizou na casa de Manoel Antônio Rates em um altar foi portátil e trazido até aí pelo Padre Bento, no lombo de seu cavalo.

*Aguida, uma das filhas de Manoel Antônio Rates aparece no Vale do Sapucaí, como inventariante de Manoel Pereira de Carvalho, os Rates se espalham em locais onde existem atividade e economia viável."

O texto acima, extraído de carmodacachoeira.blogspot.com, nos proporciona a exata dimensão da responsabilidade de todos os membros da Família Rattes na busca a que nos propomos. Conhecer Manoel Antonio Rates e os caminhos por ele trilhados, saber quem são seus ascendentes e descendentes, tudo isso é muito mais do que conhecer as origens de nossa família: é contribuir para a cultura de uma cidade. Carmo da Cachoeira merece todo a nossa dedicação nessa tarefa. Acompanhar o blog de Carmo da Cachoeira é sempre um imenso prazer.

2 de abr. de 2008

Da Cachoeira dos Rates ao Rancho Alegre

Disse-me Leonor: "No ano de 2005, quando a Paróquia começou a pensar as comemorações de seus 150 anos, contatamos em Petrópolis, o Sr. Paulo Alves Rattes. [...] Numa das conversas que tivemos com o Sr. Paulo, ouvimos dele que a família recebeu, através da tradição a informação de que seu avoengo, por um motivo ou outro, decidiu dar novos rumos a sua vida e criar melhores condições de vida para sua família. Dizendo isso ele saiu, montado em seu cavalo. Assim que se deu conta da verdadeira intenção da conversa, sua esposa e alguns escravos ou auxiliares (não me lembro bem dos termos por ele utilizado) foram atrás dele. Só o alcançaram 60 (não me lembro a unidade de medida a que ele se referiu) adiante. Diante deste relato do Sr. Paulo Alves Rattes, baseado na tradição e de dados outros vindos através de uma cadernetinha, que seu pai tinha com algumas pequenas anotações sobre seus ancestrais, pergunto: Que caminho era este que o levaria a ALEGRE, ou melhor, ao 'RANCHO ALEGRE'? [...]"



Pois bem: em linha reta, Carmo da Cachoeira dista de São Pedro de Rates, no Espírito Santo (que iniciou como distrito de Alegre, terra de meu avô), exatamente 360 quilômetros, ou seja, 60 léguas, unidade de medida utilizada pelos tropeiros.